Aborrecem-me as palavras, as recordações, esse todo que me envolve neste penhasco que um dia ruirá. Tento fugir para longe onde mais ninguém me veja o olhar preso nos teus passos…Partiste.
Deixaste que caíssem as palavras nesse silêncio que nos mata a saudade um do outro. Anoiteceu nesta manhã em que escrevo. Tornou-se tudo tão escuro e insondável. Tácito e imperceptível.
Nevoeiro cerrado esse que me adormece os olhos, que nos dissipa os passos cravados na areia ainda molhada. Necessito partir para longe, para outra terra que não esta, onde as palavras não saem exactas e descomunais.
Preciso ver esse mundo invisível, esse universo que me encobre a vontade de existir.
Quero alcançar esta nuvem, este horizonte contido nas mãos hábeis de quem me criou um dia. E porque me criaste? Que diferença faço aqui, nesta inconsciência de mim e do que me rodeia? Porque estou contida nesta caixa escura que me impede de avançar rumo a ti?
Hoje quero conhecer essas respostas que tanto anseio, esse prosseguir em frente rumo aos teus braços dóceis que me esperam (bem sei).
Torna-se tudo tão difícil quando a tua voz não paira sobre esta brisa que se dissipa no escuro, nestes buracos negros que consomem as certezas de ti.
Existes?
Acredito nessa fé mágica que me move novamente os caminhos pelo que destinaste que fosse. Vacilo é certo, quando não noto os teus passos na terra batida, naquele caminho que traçamos juntos, lembraste? Hoje estes passos prosseguiram por outros trilhos que não os que definiste, perdi a tua mão que me segurava. Deixei cair esta segurança pelas montanhas verdes destas novas terras.
Perdi-me…
Por favor volta…Vem salvar-me…Preciso de ti novamente.
Dá-me certezas, vontade de saltar estas janelas minúsculas que consomem o tempo escasso. Esse tempo que tão bem conheces!
Papá, volta…

